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Ninguém é indispensável

Caracas, hombres! Que vitória!
Devagar e sempre, como convém, vamos trilhando nosso caminho rumo à conquista da América. A noite de quarta-feira foi iluminada também por mostrar que, na bola, podemos jogar sem Adriano. O retrospecto do time já evidenciava isso, mas muitos insistem na tese - para mim, furadíssima - de que o Imperador pode fazer o que quiser por ser um 'fora de série'. Os 3 a 1 nos bolivarianos (primeira derrota dos caras em casa desde 2006) ajudam a mostrar que não é por aí. Escrevi que era chegada a hora de mandar Adriano e suas confusões pra bem longe da Gávea e recebi - aqui nos comentários e em conversas com amigos - quase sempre a mesma resposta: o cara é top mundial; o Fla sabia que tinha que levar o 'pacote completo' quando o contratou; ele abriu mão de muita coisa (leia-se grana) pra jogar no Mais Querido. À moda Jack, o Estripador, vamos por partes. Adriano é um jogador top de linha, que o Flamengo nunca teria condição de contratar apenas por seus próprios meios Concordo em parte com a afirmação: mesmo reconhecendo toda a qualidade do cara, acho que devemos levar em consideração que ele nunca teve, mesmo na Europa, a projeção dos Ronaldos ou do Kaká, por exemplo. E discordo do que vem depois: se ele ajudou o Mais Querido - e ajudou muito, não tenho dúvida - quando largou a Inter de Milão, também foi muito ajudado pelo Fla, que o acolheu e lhe propiciou ótimo ambiente para voltar a brilhar. Em suma, ele NÃO NOS FAZ um favor ao voltar a envergar o Manto Sagrado. Quando o contratou, o Fla sabia que teria problema; faz parte do 'pacote' Ilação absurda, facilmente desmentida pelo comportamento do jogador: uma coisa é faltar a um treino, assim como qualquer um de nós pode faltar ao trabalho; é da vida. Outra coisa, bem diferente, é ficar quase 10 dias sem dar as caras no clube. Por mais que às vezes pareça, o Fla NÃO É A a casa da maãe Joana (ops). Ninguém pode fazer apenas o que quiser, a vida não é assim. Bem, talvez o Eike Batista possa. Ele abriu mão de um caminhão de dinheiro par jogar no Fla Bueno, se é assim, muito simples: que volte para a Europa e ganhe seus milhões por lá. Como já dito, quero ver emplacar em outro clube de primeira linha - caso isso ocorra, vai continuar a aprontar como faz aqui? Não? E o tal 'pacote completo', só vale pro Fla? Puro complexo de vira-lata, infelizmente típico não só do Mais Querido e sim de TODOS os grandes clubes do Brasil. E mais: de tanto ouvir esse papo de abrir mão de grana, algum desavisado pode até acreditar que o Adriano joga no Flamengo de graça, o que, todos sabemos, está MUITO LONGE de ser verdade. Ele é regiamente pago para fazer seu trabalho - claro, claro, não é o clube que desembolsa aquela fábula, os patrocinadores arcam com a maior parte da dolorosa. Mas digam aí: se ele for jogar no Campo Grande, os mecenas vão segui-lo? Parece-me ululantemente óbvio que não, donde só se pode concluir que ele ajuda o Fla - quando atrai holofotes, patrocínios e retorno na mídia - tanto quanto o Mengão o ajuda, dando-lhe a maior vitrine do futebol brasileiro para que volte a brilhar. Simples, não? Tudo isso posto, deixo claro que gostaria muitíssimo de continuar a contar com nosso artilheiro terror das defesas adversárias. Mas somente na hipótese de que ele caia na real. Se for pra continuar a pisar nas nuvens, que vá fazê-lo em outras paragens. *************************************************************************** Sobre o jogo contra o Caracas, creio que dificilmente o roteiro poderia ser melhor do que foi: com um jogador a menos (Toró mantendo a regularidade) durante boa parte da peleja, mas sem nunca perder a cabeça. Apesar do pavoroso gramado e de o time dos chavistas ter mais qualidade que o Universidad Católica (do meio pra frente mandam bem e nos deram alguns sustos), prevaleceu nosso melhor toque de bola. Enquanto perdem tempo discutindo os barracos de Adriano, muitos nem atentam para o fundamental: o entrosamento do Fla é cada vez maior, o que facilita muito as coisas em campo. Vagner Love continua dando exemplo de entrega em campo, contagiando os companheiros; os laterais voltaram a ser opção para desafogar o jogo; Kleberson, um jogador que normalmente me irrita, esteve bem, mesmo sem ser brilhante; Bruno mostrou concentração e atenção total ao perigo; e Rodrigo Alvim mostrou ter estrela ao transformar uma bola à toa, de fim de jogo, no prego que faltava no caixão dos venezuelanos. Petkovic é que não esteve bem, mas acho que pode-se creditar a atuação apagada à falta de ritmo. Enfim, uma bela vitória e três pontos fundamentais. Agora é o clássico, e se tudo der certo, nosso xerifão Maldonado estará em campo. O cara vai dar o toque de equilíbrio ao setor defensivo, que perdeu consistência com sua saída. Vem, bacalhau, vem!! Saudações Rubro-Negras.

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