Levando a brincadeira a sério...


Homenagem

Pela importância do Chico Anysio na cultura nacional e pelo fato de ser um notório vascaíno, nada mais justo que o time prestar-lhe uma homenagem; pela importância do Edmundo na história do clube, é igualmente justo que se faça a despedida decente ao jogador. O problema é que tudo isso - somado à vitória sobre o Libertad na quarta passada, que nos deixou numa situação mais cômoda na Libertadores - deixou o ambiente vascaíno leve demais, para não falar festivo demais. É o Animal marcando treinando e marcando golaço em rachão, jogadores ganhando "apelidos" entre os personagens do Chico, Felipe e Juninho "provando" que podem jogar juntos, torcida fazendo fila para comprar ingresso pro jogo contra o Barcelona (ECU)...

E do Resende ninguém falava.

Não estou afirmando que o time entrou de salto alto no empate de ontem. Mas é inegável que os acontecimentos recentes na Colina tinham tudo para fazer com que o Estadual meio que ficasse em segundo plano. O Resende pode até ter seu valor e até se mostrou um adversário de qualidade, mas daí a fazer um jogo mais duro e conseguir um resultado melhor que o Libertad, só mesmo levando em consideração o desempenho do próprio Vasco nas duas partidas. E é difícil crer que nosso adversário conseguisse arrancar um empate se tivéssemos jogado como jogamos contra os paraguaios.

Não creio que tenha faltado empenho, apenas acho que pode ter havido um relaxamento natural, após uma partida decisiva de uma competição mais importante. Se essa foi pelo menos uma das razões que justificam o resultado, é bom que o Resende fique na memória da equipe como o adversário que lhes fez perceber que não se pode entrar em campo com menos de 100% de concentração, seja qual for o oponente ou o campeonato que está sendo disputado. É melhor isso que lembrar desse empate como o que nos fez perder dois pontos que nos deixaram fora das semifinais.

As atuações (que em alguns casos parecem ter sido influenciadas pela homenagem feita pelos jogadores aos personagens do Chico Anysio...)

Fernando Prass - nada podia fazer no gol do Resende e pouco trabalhou na partida. Mas nos minutos finais, desperdiçou o que poderia ser nosso último ataque rifando um tiro de meta no pé do adversário. E só não foi uma lambança completa porque o contra-ataque nascido nesse lance teve sua conclusão defendida pelo próprio Prass, que fez nesse momento sua melhor defesa.

Fagner – fechou seu lado do campo com mais eficiência que o Feltri, mas ofensivamente não conseguiu produzir muita coisa. No lance do gol do adversário, não conseguiu impedir que o atacante do Resende finalizasse. Saiu no intervalo para a entrada do Eder Luis, que exatamente como o vampiro Bento Carneiro, não dá medo em ninguém: fez mais numeração na frente do que criou lances de perigo. Ainda parece estar fora de forma.

Dedé - praticamente perfeito na sua função, também subiu ao ataque para tentar ajudar o time e sofreu uns quatro pênaltis com os agarrões dados pelos zagueiros do Resende que o juiz Marcelo de Lima Henrique fez questão de não marcá-los. Talvez tenha faltado nos lances a malandragem do Azambuja, personagem que trouxe na camisa.

Renato Silva - o "Fumaça" (talvez uma referência pouco sutil ao seu antigo caso de doping) foi deixado na podre no lance do gol adversário, já que a lateral estava completamente livre. No mais, jogou bem e também arriscou suas subidas ao ataque quando o Resende parou de oferecer perigo.

Thiago Feltri – no primeiro tempo foi terrível defensivamente, deixando enormes espaços pela esquerda até que sofrêssemos o gol em jogada por esse lado do campo. No segundo tempo teve menos problemas na marcação porque o Resende se fechou, mas não conseguiu criar boas jogadas no apoio. Seu melhor momento no jogo foi o pênalti sofrido, mas como a penalidade não foi convertida, de nada adiantou o lance.

Romulo – se perdeu no meio de alguns contra-ataques do Resende e chegou a se atrapalhar na saída de bola, errando mais passes que o normal. Homenageando o personagem “Divino” do Chico Anysio, pareceu estar pensando nos astros dentro de campo.

Allan – atuando como volante na primeira etapa, o “Justo Veríssimo” do time falou “quero que a defesa se exploda!” e acabou se preocupando menos do que devia com o combate, deixando espaços para o Resende criar jogadas quando subia para ajudar na criação. No segundo tempo, deslocado para a lateral direita, teve mais liberdade para apoiar e fez o cruzamento que rendeu o gol de empate.

Juninho – discreto, acabou não conseguindo superar a marcação do Resende e criou pouco. Tirando uma cobrança de falta com relativo perigo, pouco fez. Felipe entrou em seu lugar no intervalo e também sofreu com o bloqueio adversário. Com as camisas do Professor Raimundo e Pantaleão, dois personagens da terceira idade, a experiência de ambos não bastou para garantir uma apresentação mais decisiva.

Diego Souza – sua homenagem ao Alberto Roberto parece ter influenciado sua atuação: enquanto o personagem do Chico Anysio tinha a frase “não garavo” como bordão, Diego Souza poderia usar um similar “não quirio”, já que não criou nada no primeiro tempo. No segundo tempo se movimentou um pouco mais, mas novamente foi uma nulidade. Abelairas entrou em seu lugar e mostrou mais trabalho, caindo pelos lados do campo e acertando um cruzamento para Alecsandro QUASE marcar de cabeça.

William Barbio – Gastão, o personagem estampado na sua camisa, era um tremendo avarento. Já o Barbio foi pão duro na distribuição de alegrias para a torcida: correu o tempo todo, tentou jogadas e dribles, mas na hora H sempre errava o passe decisivo ou finalizava mal. Pra ser realmente útil ao time precisa treinar alguns fundamentos com urgência.

Alecsandro - perdeu gols e mais um pênalti (o terceiro seguido), que poderia ter nos dado a vitória. Pra compensar, marcou o gol que impediu a nossa derrota. Ainda assim, está longe de poder falar “CALADA!” para a torcida, como o personagem Nazareno, homenageado em sua camisa.


Comentários

Muito legal seu texto, JC.

Muito legal seu texto, JC. Fez um paralelo muito bom entre as atuações e os personagens do vascaíno Chico...

Comment by Lorena/ Belém (não verificado) on mar 26th, 2012 at 7:41 pm

CARLOS ALBERTO NA LIBERTADORES

JC,

Vi muitas perguntas e nenhuma resposta... O C19 poderá jogar a Libertadores?

Valeu.

Comment by Rômulo - DF (não verificado) on mar 26th, 2012 at 8:59 pm

Nessa fase não.

Nessa fase não.

Comment by JC on mar 27th, 2012 at 10:36 am

Alessandro e Diego Sousa

Pode reparar em TODOS os jogos. A dupla Alecsandro / Diego Sousa, no esquema armado por Cristóvão, simplesmente nao tem funcionado. Os dois parecem disputar a posição e não complementam a atuação do outro. Diego Shousa não pode mais ficar dentro da área. Ele não sabe jogar ali com outro atacante trazendo a marcacao para perto dele. Sua posição é a uns 3 metros da "quina" da grande área.

E o Alecsandro não pode mais bater pênalti. Estou lembrando do Dodô, que mesmo com algum crédito com a torcida (Dodô é o poder), depois de perder uma seqüência de penaltis - dois deles num mesmo jogo contra o Flamengo, que nos deu uma derrota e nos tirou uma chance de título - caiu em desgraça com a nação vascaína e teve que ser dispensado.

Comment by Mau Humor (não verificado) on mar 27th, 2012 at 3:17 am

Realmente ÓTIMO texto. JC, o

Realmente ÓTIMO texto.

JC, o abelairas, apesar de ter entradado no lugar do inútil DS, me pareceu jogar na posição do juninho, embora sem a velocidade e explosão dele. Agora não sei se funcionou pq qq um que entrasse no lugar do DS deixaria o time melhor ou se pq realmente ter dois jogadores inteligentes e com bom passe no meio campo é a melhor formaçaõ do vasco, a exemplo do jogo do libertad. Principalmente em jogos de retranca forte.

Jà que o Cristóvão não quer mesmo ter juninho e felipe juntos (a não ser que o DS esteja suspenso), o rodízio deles com o abelairas, e até o CA, seria ótimo para nosso meio campo.

Não gostei do CA sendo reintegrado, mas por mim ele já vai direto pro lugar do DS. Não é possível que ele vai jogar tão mal assim.

Comment by Arthur (não verificado) on mar 27th, 2012 at 11:48 am

abelairas

gostei mt do q vi o abelairas jogar, jc, vc acha q ele tem futuro no vasco?

Comment by Anônimo (não verificado) on mar 27th, 2012 at 1:06 pm

CA reintegrado

Sou contra a reintegração do "Casalberto". Isso dito, o pior é ter que aguentar a lenga lenga do Cristóvão pra botar ele pra jogar. Acho que se a diretoria e a comissão técnica acharam melhor perdoa-lo mesmo depois de tudo que ele aprontou, grande parte desse "perdao" foi influenciado por aquilo que essas pessoas acham que o sujeito é capaz de fazer dentro de campo. Nessa linha de raciocínio, não faz sentido deixar o cara no banco só pra da lição de moral. Acho que se o CA fosse um jogador que ainda tivesse que provar que tem futebol pra ser titular do vasco, dificilmente ele teria sido reintegrado. Foi trazido de volta porque hoje, com esse elenco, ele faz diferença. Na minha opinião, com exceção do Juninho e do Felipe (este num dia bom), o CA entra no lugar de qualquer outro do meio pra frente. Mas como ja disse no inicio acho que o Cristovão ainda vai dar um chá de banco nele. Vide o caso do Abelairas. Foi contratado com status de reforço importante, foi considerado como desfalque na taça Guanabara (por nao ter sido inscrito a tempo) e até hj nao conseguiu disputar uma partida completa. Não estou comparando tecnicamente os dois, só estou exemplificando a maneira como o nosso treinador trabalha. Se o Cristóvão fosse um pouquinho mais safo escalava o CA de titular logo no domingo contra o Macaé. Se ele jogar bem, ótimo, será mais uma opção pro time. Se ele nao jogar nada, otimo tambem, vai pro banco e espera nova oportunidade. Em ambos os casos evita-se mais uma novela desgastante. Ou alguem duvida que a imprensa nao vai ficar no pé do treinador e outros jogadores querendo criar "polemica"?

Comment by alexandre machado (não verificado) on mar 27th, 2012 at 2:42 pm

E D M U N D O

Nobre JC,

A entrega do Edmundo em campo ñ era normal, em cada jogo ele parecia estar numa final - lembra da derrota da seleção brasileira p/ França na final da Copa do Mundo em que todos pareciam estar dormindo em campo e o Animal entrou pagando geral? - A entrega dele era diferente, tenho 31 anos de idade e ñ me lembro de 1 jogador sequer com a gana da vitória que tinha nosso artilheiro. Acredito que a identificação da torcida seja mais nesse sentido.

Outra coisa, dos anos 80 p/ cá, qual foi o jogador que fez no Vasco, em 1 ano, o que o Edshow fez em1997? Como todos dizem - inclusive vc - foi o maior do mundo naquele ano. O CRVG, depois do Ed, ñ teve um jogador desse nível. Se o Dedé ficar mais 1 ou 2 anos e ganhar algum título de expressão - digo, brasileirão ou libertadores - certamente entrará no hall da fama de grandes jogadores da história do Gigante.

Caro JC, um ídolo ñ se mede apenas pela 'craqueza', fosse assim, o Romário teria mais reconhecimento da torcida, mas ñ tem, sabe pq? Pq ele é ídolo rubro-negro, da mesma forma que o Ronaldo - na minha opinião o maior centro-avante da história do futebol - era p/ ser ídolo mulambo e virou ídolo corintiano.

Obs. A foto que vc postou no blog da Globo c/ Edmundo, Reizinho, Maestro, Mito e Fágner me fez refletir o seguinte: Os três primeiros com uns 15 anos a menos, jogando com o Dedé e o Fágner de hj seria uma seleção.

Sds Cruzmaltinas!!

Comment by Rômulo - DF (não verificado) on mar 30th, 2012 at 10:20 am

Democracia

Caro JC,

Gosto da forma como escreve (se ñ gostasse ñ leria) e, apesar de termos pontos divergentes em relação ao Edmundo, o considero extremamente sensato e talentoso com as palavras. Estou falando isso, pq li muitas críticas a vc por causa do post sobre o Edshow (globo.com), alguns inclusive pedindo sua saída do blog. Se cada vez que lermos um texto, uma matéria, um livro, etc. que ñ nos agrade e o autor ter que parar de escrever, a democracia seria poesia de analfabeto.

Sds Cruzmaltinas!!

Comment by Rômulo - DF (não verificado) on mar 30th, 2012 at 10:52 am

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